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MESTRE CAJAZINHO

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Mestre Cajazinho

Madeira
Gameleira


Ademildo Santos da Silva, o mestre Cajazinho, nasceu no município de Gameleira, Zona da Mata Sul de Pernambuco, no dia 24 de maio de 1965, e ainda pequeno foi morar com a família na cidade do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife. Aos 15 anos, já transformava caroços de macaíba em anéis e cascas (quengas) de coco em barquinhos e chaveiros. Aos 17 anos, ao transformar a casca de um tronco de cajazeira em um pequeno entalhe de uma casa colonial, dava início a sua história com a arte popular.

O apelido que virou assinatura artística veio do fato de usar essencialmente a casca de cajazeira em seus trabalhos e por ser um grande apreciador do suco feito com a fruta (cajá). Tornou-se conhecido por esculpir com riqueza de detalhes minúsculos arruados de casinhas coloniais que tiveram a cidade de Olinda como grande fonte de inspiração. 

Aos 25 anos de idade, conheceu Célia Novaes, que durante anos respondeu pela coordenação estadual do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB). Esse encontro foi fundamental para o amadurecimento do trabalho de Cajazinho. “Ela é considerada a mãe dos artesãos pernambucanos e ajudou muito no começo da minha carreira”, recorda. 

Do entalhe de casarios em casca de cajazeira, o artesão experimentou novas texturas de madeira, recorrendo sempre ao que era descartado e aparentemente sem condições de reutilização. Começou a trabalhar com madeira de demolição dando novos significados ao seu artesanato. Com sobras de construções e refluxos de marcenaria iniciou sua linha de brinquedos pedagógicos e de raciocínio lógico, ao tempo em que também buscava outras matérias-primas para elaborar objetos de decoração, como cano de PVC (luminárias), osso, entre outros produtos. 

O encontro com a marchetaria foi um desdobramento natural do processo de criação e com ela vem desenvolvendo grande variedade de peças. Mestre Cajazinho admite que só veio descobrir que já trabalhava com a refinada técnica artesanal de embutimento de lâminas de madeira por acaso, a partir da garantia de um amigo. Com ela encontrou seu estilo e tomou como missão repassar a técnica para jovens em situação de vulnerabilidade social. “Isso porque enfrentei muita dificuldade no começo porque são poucos os que ajudam no caminho. Prometi a mim mesmo que ajudaria a quem estivesse disposto a aprender”, destaca. 

Ao longo dos últimos anos, Cajazinho promoveu, de forma voluntária, cursos em diversas cidades, como Amaraji, Cabo de Santo Agostinho, Escada, Quipapá, Delmiro Gouveia (AL), Arês, Natal (ambas no RN), em bairros carentes de Jaboatão dos Guararapes, além de oficinas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pelos cálculos, cerca de duas mil pessoas conheceram com ele a arte da marchetaria, e muitos já trabalham profissionalmente com a técnica. Para o mestre, além da satisfação pessoal, resultados como esse justificam a função da arte. “É preciso que ela transforme a vida das pessoas”, defende. 

Contato:

Endereço: Rua Antônio Marinho Wanderley, 20, Ponte dos Carvalhos, Cabo de Santo Agostinho. 

Telefone: (81) 9.9786-596

Texto: Rozziane Fernandes

Fotos e vídeo: César de Almeida




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