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MESTRE LUIZ CARLOS

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Mestre Luiz Carlos

Barro
Goiana


Não seria diferente para Luiz Carlos Ferreira da Silva, tendo nascido em Goiana, município da Zona da Mata Norte que tem como referencial a rica tradição artesanal figurativa, e vindo de família de artesãos, que o barro fosse a matéria prima com a qual modelou a vida. Sobrinho de Luiz Gonzaga e primo de Adilson Vitorino Nunes, ele cresceu entre as olarias e os ateliês da cidade. Na adolescência, foi assíduo frequentador da casa do ceramista e pintor Zé do Carmo, patrimônio vivo da cultura pernambucana, um dos mais expressivos nomes da arte popular do Estado e do qual se diz discípulo com orgulho. 

Luiz Carlos tinha 17 anos de idade quando fez as suas primeiras esculturas em barro. Na época, trabalhava no ateliê de Zé do Carmo, executando algumas funções, entre elas, organizar as peças dentro do forno para o longo processo de cozimento.Passava horas observando atentamente os artesãos em pleno processo de criação. Certo dia, tomou a iniciativa que viria mudar a sua vida: arrumou uma mesa, pegou um pouco de barro e deu forma às figuras de um retirante e de um vendedor de lenha, personagens recorrentes de sua infância de menino carente. Em apenas uma semana, o jovem Luiz Carlos produziu dez peças - que logo foram levadas para avaliação do mestre Zé do Carmo. “Lembro que fiquei bem desanimado, achando que Zé do Carmo não tinha aprovado, mas 15 dias depois, o próprio mandou me chamar para entregar o dinheiro porque tinha vendido todas as esculturas e queria que eu produzisse mais. Depois desse dia, nunca mais parei”, recorda. 

Aos 59 anos de idade - nasceu no dia 8 de agosto de 1958 - e com mais de quatro décadas de intensa convivência com o barro, mestre Lula ainda encara o ofício com olhos de quem inicia. “Ainda tenho muito caminho a percorrer e não me sinto tão bom assim”, reflete o artesão, que em sua sua expressão estética optou pelas esculturas em estilo rústico (característica da produção artesanal de Goiana) em representações antropomorfas. 

Sua cerâmica modelada à mão, na qual ferramentas como espátulas surgem apenas para o acabamento, reúne o imaginário popular nordestino e a arte santeira. Peças como Lampião e Maria Bonita, trabalhadores de rua, como o apanhador de caranguejo e o pescador, destacaram o seu trabalho, hoje encontrado em todo o Brasil e em países como a Argentina, Chile e Itália. “É muito gratificante ver nos olhos das pessoas o reconhecimento do meu trabalho. Viver do barro é um grande desafio, mas tenho muito prazer em que faço e só vou parar quando Deus me chamar”, anuncia mestre Lula, que integra desde 2014 a Alameda dos Mestres da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte). 

Contatos:

Endereço: Primeira Travessa da Rua do Curtume, 131 (Beco)

Telefone: 91.9.0309-227

Texto: Rozziane Fernandes

Fotos e vídeo: César de Almeida




MÍDIA



Veja também:

- Acesse ao site do governo www.pe.gov.br
- www.fenearte.pe.gov.br