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MESTRE NADO

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Mestre Nado

Barro
Olinda


Agnaldo da Silva, o mestre Nado, foi menino criado solto pelas ruas de Olinda e que se fez homem através do barro. Nasceu no dia 8 de maio de 1945 e durante parte de sua infância teve em um veio de argila, próxima à casa da avó onde foi criado, território para suas brincadeiras. Aos sete anos de idade, carregava barro em carrinhos de lata para transformá-lo em panelinhas. Aos 10 anos, já trabalhava como ajudante em uma olaria. A força de vontade e a persistência, características dos autodidatas, abriram portas na vida de mestre Nado, o ceramista das esculturas cantantes.

No alto dos seus 72 anos - mais de 60 dedicados ao barro - Nado, aluno e professor em seu ofício, repassa adiante a lição assimilada com o tempo: “na vida sempre estou aprendendo. Temos que ser como a argila que se deixa moldar para ser transformada”. Aos dez anos, no ínicio da caminhada, o trabalho na olaria de quartinhas (vasos que mantinham a água fresca) garantia ao menino a renda de Cr$ 1,00 (um Cruzeiro) por semana. Até os 17 anos, passou por todas as funções, o que lhe rendeu qualificação e experiência: foi catador, batedor de barro, polidor de peças, controlou o forno e se tornou oleiro produzindo em torno manual até cem quartinhas por dia. 

Nos anos de 1960, com a chegada das primeiras geladeiras domésticas, o mercado das quartinhas entrou em declínio, obrigando Nado a buscar trabalho em Tracunhaém, município da Zona da Mata Norte que começava a revelar a força da sua cerâmica figurativa. Permaneceu na cidade por cerca de quatro anos, sendo obrigado a fazer o caminho de volta ao se deparar, mais uma vez, com a desvalorização das quartinhas, que já enfrentavam a concorrência das geladeiras no interior do Estado. Trabalhou com Thiago Amorim e com Francisco Brennand. Aprendeu a dominar a queima da cerâmica em altas temperaturas e começou a produzir suas primeiras peças figurativas. 

Em 1978, já morando no bairro de Caixa D’Água, em Olinda, onde hoje mantém o Centro Cultural Som do Barro, Nado enfrentou um novo desafio ao perder tudo o tinha conquistado com a grande cheia que atingiu a cidade. “Perdi com ela, mas também descobri que tinha sobre os meus pés uma grande reserva de barro com a qual reconstruiria a vida”. O achado, no entanto, não foi suficiente para assegurar tranquilidade e mais uma vez, Nado se viu às voltas com a concorrência e vendas minguadas de seus vasos decorativos. Foi quando a casualidade traçou novos rumos. Estava no Alto da Sé, preocupado com o sustento da família, e pediu a Deus que o ajudasse em seus desafios. Nado tinha nas mãos uma pequena bola de barro e, ao fazer alguns furos, descobriu a sonoridade do elemento que sempre esteve presente em sua vida. Ele não sabia, mas estava dando novos significados para um dos instrumentos de sopro mais antigos da humanidade, a ocarina. 

A descoberta impulsionou mestre Nado a anos de intensos estudos e experimentações. Aprendeu música, revelou-se compositor, tornando as esculturas sonoras a sua identidade artística. Hoje, são mais de 70 instrumentos de sopro e percussão registrados, entre ocarinas, flautas, maracas, raco-raco, bum d’água, adotados em shows de Antônio Carlos Nóbrega, Antúlio Madureira, Milton Nascimento, Ney Matogrosso e até em apresentações da Orquestra Sinfônica de São Paulo. Seu trabalho ganhou o mundo. 

Nado é um artista em permanente efervescência. Em 2014, através de projeto aprovado no Funcultura, produziu seu primeiro CD (O Som do Barro) trazendo relacionando ritmos musicais (xote, xaxado, ciranda, coco, frevo e baião) aos elementos da natureza. Com os filhos Sara, Micael e Júnior, já iniciados na criação das esculturas cantantes, formou um grupo musical, que se apresenta em show e em oficinas. Ensinar, por sinal, está entre as atividades que o mestre mais gosta de fazer. “Gosto muito de lidar com crianças (mais de duas mil) e, principalmente, os idosos. É uma grande troca de energia que sempre tem o barro e sua capacidade transformadora como fio condutor. Acredito que não exista coisa mais feliz do que isso”, atesta. 

Contatos:

Endereço: Rua Barão de Steple, 43, bairro de Caixa D’Água, Olinda. 

Telefone: 91. 9.9107.8742

Texto: Rozziane Fernandes

Fotos e vídeo: César de Almeida




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