Nossos Mestres

MESTRE SAÚBA

Img 8700.profile

Mestre Saúba

Madeira
Jaboatão dos Guararapes


Quem se dispuser ir à Rua João Martins, no bairro de Vila Rica, Jaboatão dos Guararapes, encontrará no imóvel de número 16 uma casa de brincantes. É lá que mora José Antônio da Silva, o mestre Saúba, criador e grande admirador dos brinquedos populares. Mantém com grande orgulho a tradição artesanal há mais de quatro décadas. Aos 67 anos de idade, pode ser visto nos finais de semana em praças, feiras livres, mercados públicos e praias, levando sobre a cabeça uma pesada caixa em que acomoda suas peças coloridas (algumas sonoras), confeccionadas com madeira de embaúba. “O trabalho não deixa a gente desanimar e além do mais, a satisfação de ver uma criança feliz vale todo o esforço da vida”, assegura.

Mestre Saúba nasceu no município de Pombos, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Veio de uma família grande (seis irmãos) e de poucos recursos. Aos oito anos de idade, já ajudava o pai no corte da cana-de-açúcar e não teve a chance de estudar. Até os 12 anos, essa foi a lida de Saúba, que ganhou o apelido inspirado na formiga saúva, por ficar vermelho sob o forte sol em suas longas jornadas de trabalho. Com a morte do pai, a família se mudou para a capital, onde Saúba exerceu várias ocupações, como operário da construção civil e carpinteiro. 

Sua história com os brinquedos artesanais começou aos 20 anos de idade quando conheceu uma cigana de nome Socorro, que produzia e comercializava peças como o mané-gostoso (boneco articulado, com braços ligados a hastes de madeira através de barbante, simulando um trapézio) e o sonoro rói-rói (haste de madeira revestida por resina e amarrada em barbante tendo na outra ponta uma pequena caixa cilíndrica). “A produção desses brinquedos era o maior segredo e como eu queria aprender, acabei casando com a cigana. Passei quase três dias para fazer o meu primeiro mané-gostoso”, recorda. 

Todo o trabalho de feitura dos brinquedos conta com a participação do irmão mais novo, que também é artesão e que também se chama José Antônio da Silva, o Cocota. Com ele, além do mané-gostoso e do rói-rói, a produção foi ampliada com as borboletas (presas a uma longa haste de madeira, com rodinhas, e que fazem barulho ao baterem as asas) e com os ratinhos móveis feitos em papel machê. Começam a trabalhar às 4h30 seguindo até as 21h - uma jornada com pausa apenas para as refeições e que assegura a criação de duzentas peças de cada brinquedo por mês. 

O carinho e a dedicação aos brinquedos populares já levaram Saúba e Cocota a participarem do Programa do Artesanato Solidário (2004 e 2005), abrindo mercado em outros estados do país. Participando há três anos da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), Saúba foi reconhecido mestre do artesanato de Pernambuco, em 2016, sendo convidado a integrar a Alameda dos Mestres na 17ª edição da feira, que teve como símbolo o mané-gostoso. “Os bonecos me ensinaram muita coisa na vida . Dou graças a Deus quando o dia amanhece porque é mais uma oportunidade de recomeçar. Trabalhamos para ganhar o nosso sustento, mas não é apenas isso. O que mais a gente gosta é ver a criançada sorrindo”, garante. Um dos grandes prazeres de Saúba é participar de oficinas em escolas públicas e privadas - momento em que fala um pouco da sua história e apresenta aos pequenos os seus engenhosos brinquedos. “Deus é grande, o mundo é largo. Ruim é a pessoa que se fecha em si e não repassa o que aprendeu na vida”, afirma o mestre. 

Contatos:

Endereço: Rua João Martins, 16, Vila Rica, Jaboatão dos Guararapes. 

Telefone: 81. 9. 85324549

Texto: Rozziane Fernandes

Fotos e vídeo: César de Almeida




MÍDIA



Veja também:

- Acesse ao site do governo www.pe.gov.br
- www.fenearte.pe.gov.br